Hoje a história é especial de Carnaval porque sou ansiosa que nem o povo da minha terra e começo a festa logo na quinta-feira. A cidade já parou e o povo só entra aqui com a fantasia no corpo.

Numa cidade carnavalesca como Recife, todo mundo tem o seu bloco ou baile, inclusive as escolas. Em colégios grandes, quem tem sete anos não pode sair da sua área para se misturar com as crianças grandes. E quem tem sete anos também estava chegando de novato no colégio, pois eles só ensinavam a partir desta idade. Foi nessa época da vida que aconteceu minha história de Carnaval.

Estava fantasiada de baiana rosa e branca, sempre gostei de vestir roupas diferentes. Meus pais me deixaram na escola para o baile e voltaram para casa porque tinham que terminar de arrumar as malas de viagem. Brinquei o tempo todo, joguei confetes e serpentinas, corri, dancei frevo, participei da festinha como qualquer coleguinha normal. O baile foi terminando, as crianças começaram a ir embora e eu continuava lá, bem animada.

De repente o colégio esvaziou, só via alguns pais recolhendo os filhos mais resistentes e eu, sozinha, sem mais nenhum amiguinho para brincar. Sentei num batente, coloquei a cabeça nos joelhos e comecei a chorar. Uma professora, que fazia a ronda para checar se todos tinham ido mesmo embora, me encontrou e eu disse a ela que estava esperando meus pais porque íamos viajar. Ela me levou para a área dos "grandes" e umas meninas mais velhas me ajudaram a ligar para meus pais do orelhão. Disquei várias vezes até conseguir falar, entre soluços, com minha mãe esquecida.

Na verdade, eles não tinham me esquecido, apenas confundiram o horário do final do baile achando que terminava duas horas mais tarde. Foram me buscar correndo, ainda bem. Fiquei morrendo de medo deles terem viajado e esquecido de mim. E isso aconteceu na minha primeira semana no colégio novo e gigante. Não fiquei traumatizada, mas fiquei bem triste quando compreendi que meu pai e minha mãe não prestaram atenção ao comunicado da escola, ao contrário de todos os outros pais de todos os outros alunos do colégio. Pelo menos pude aproveitar o baile até o final, coisa que nunca faço hoje em dia.

10/30