Quando vejo uns dias de folga à frente logo penso que vou aproveitar para colocar todas as minhas coisas em dia. Sempre me engano. Não consigo. O corpo e a mente cansados falam mais alto e pedem desesperadamente para não fazer nada de útil nos dias que seguem. Eu obedeço, claro. Não há mais nada que possa fazer. Pior é forçar e, mais tarde, ter um troço pior.

O problema é que, quando olho para os dias que passaram, vejo que já passaram. Não dá mais para voltar e tentar forçar um pouquinho. Pelo menos realizar uma tarefa que está pendente há muito tempo. Sei lá, ler um texto antigo da faculdade, arrumar as pastas das turmas do trabalho, ou terminar a leitura do livro que o professor pediu para depois do Carnaval.

A sensação ao final do feriado tem duas faces. A primeira é a de descanso, pois não estou tão cansada e não exagerei no Carnaval. A segunda é a de frustração, porque não consegui deixar pelo menos uma tarefa antiga pronta. É aquela coisa de eu podia ter feito, mas não fiz. Me sinto meio impotente, aquela coisa da bola de neve começando a tornar-se um peso insuportável nas costas. Agora é acumular tudo para a Semana Santa.