No meu mundo perfeito, todas as cadeiras seriam confortáveis, os sofás para dois lugares e as mesas redondas. As camas seriam enormes, para as noites de amor e os dias de solidão. Os fogões só cozinhariam coisas gostosas e as cozinhas inteiras seriam auto-limpantes. Não haveria infiltração no vizinho, nem barulho de reforma.

No meu mundo perfeito, as segundas-feiras não existiriam, pelo menos não com este nome, pois me lembra decepção. Também não haveria sentimento de culpa nem de vergonha, muito menos alheia. E todos seriam gentis uns com os outros, até nos dias mais quentes da tpm.

No meu mundo perfeito, nenhum carro poderia encostar no outro, o mesmo valendo para ônibus, bicicletas, carroças e caminhões. As buzinas não existiriam, só aquelas de torcer pelo seu time de futebol. As ruas não teriam sinais de trânsito, pois todos saberiam sua hora de parar.

No meu mundo perfeito, eu não esqueceria o que estava na ponta da língua, nem deixaria as conversas para depois. Todos só gritariam de alegria, nunca de raiva, nunca uns com os outros. Vingança, inveja e cobiça não estariam no vocabulário de ninguém.

No meu mundo perfeito, as crianças seriam doces e compreensivas, só pensariam em brincar e estudar. Os adultos só se preocupariam com o que importa, não inventariam polêmicas e problemas. Os idosos não precisariam enfrentar filas e conseguiriam fazer tudo o que sempre tiveram vontade e não puderam durante a juventude.

No meu mundo (im)perfeito, eu seria menos sonhadora.