Meu nome é Uaba e eu sou viciada em redes sociais. E eu escrevo isso no mesmo tom em que os personagens dos filmes dizem essa frase quando começam a frequentar reuniões de AA ou algo parecido. Eu admito que esse vício vem prejudicando minha vida em alguns aspectos. Atingi algum tipo de auge neste ano de 2023 e, desde então, vem sendo ladeira abaixo em autodescoberta, negação, entre outras loucuras. Esse é meu problema de gente branca que está me atormentando e eu resolvi que era hora de tomar providências.

Apaguei meus perfis em redes sociais novamente e tentei eliminar outras - e, por isso, quero dizer que mantive o perfil ativo, mas apaguei o aplicativo do meu celular e do computador para evitar o uso. Discord, instagram, xwitter... foi tudo embora e só sobrou o whatsapp infelizmente apenas porque eu não sou milionária e preciso trabalhar. Esse blog deve ser minha única forma de contato com a civilização virtual. E é isso. Ah, também criei um e-mail só pra esse blog, caso alguém tenha vontade de falar comigo e não queira deixar um comentário público.

Esse post não é para dar satisfações da minha vida virtual a ninguém, mas para me lembrar de como eu gosto de estar. E é exatamente assim como na imagem: lendo um livro deitada (eu sei, minha postura está péssima e achei meu rosto estranho, mas enfim) na minha cadeirona enquanto espero digerir o café da manhã para fazer yoga. Esses vão ser meus mecanismos para tentar lidar com a ansiedade causada pela falta das redes: leitura, atividade física, escrever aqui de vez em quando, jardinagem... talvez eu descubra algo pelo caminho.

É um pouco engraçado pra mim, pensar que tomo essa decisão um mês antes do meu aniversário. Sempre tenho um ímpeto de mudar algo que me incomoda antes ou depois desta data. Nos meus 20 e poucos anos, resolvi deixar de tomar refrigerante no dia do meu aniversário. Perto dos 30, deixei de comer carne e sou vegetariana até hoje, também comecei a fazer exercícios físicos regularmente, mas a timeline desses eventos é confusa pra mim. Normalmente essas coisas dão certo porque vejo que incorporei esses hábitos na minha vida.

E eu preciso dizer que meu objetivo não é ficar sem redes sociais para sempre, mas aprender a ter uma relação mais saudável com elas. Por exemplo, eu fiquei sem tomar refrigerante por anos, mas hoje em dia, se me der vontade, eu tomo uma coquinha gelada. O problema é que o organismo tem um limite pra coquinha gelada, já as redes estão ali o tempo todo, pertinho das mãos. Minha cabeça ainda pensa em posts, a mente o tempo todo fazendo mini tweets sobre coisas aleatórias que surgem. Eu ativo o celular e fico olhando pra tela por uns instantes até me lembrar de que não tenho mais redes. E aí eu pego um livro, ou abraço meus cachorros, ou vou no jardim ver minhas plantas.

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Escrevi esse post sei lá quando em outubro e só consegui publicar agora. São 21 dias sem redes, fechada para o mundo virtual imediato. Li 3 livros de lá pra cá. Escrevi mais algumas coisas aqui. Vi vários filmes e séries que queria ter visto há tempos. Não me preocupei com coisas sobre as quais eu não tenho controle. Passei muito tempo olhando pro vazio. Pensei nas pessoas com quem fiz amizade e agora não tenho mais o contato diário. Zerei um jogo de corrida. Continuo cansada e atarefada, pensando demais e escondida no mundo real.