Continuo minha missão de espalhar a palavra da leitura de qualidade às pessoas que consigo alcançar com as coisinhas que escrevo. No aplicativo onde registro minhas leituras (tem o banner aà ao lado na coluna de links) eu estabeleci que quero ler a mesma quantidade de livros do ano anterior. Ano passado li 27 livros, mas este ano só consegui ler 22. Isso não importa muito porque a qualidade dos livros que estou lendo ultimamente tem sido excelente. Acho que a meta de verdade é ler livros que chacoalhem minha alma, que me mostrem realidades diferentes de minha, que mostrem outras formas de ver o mundo, enfim.
Vou escrever minhas impressões sobre os livros que mais me chacoalharam no segundo semestre de 2025.
Moby Dick (Herman Melville)
Foi uma empreitada ler esse livro, demorei meses, precisei passar outros na frente por causa do doutorado. Apesar disso, fiquei muito feliz por terminar essa obra-prima (eu já tinha lido uma versão adaptada) em que a natureza é a verdadeira protagonista e as paixões humanas são colocadas na insignificância material de um navio espatifado, afundado em alto mar.
O desabamento (Édouard Louis)
O livro mais recente do autor conta a história de seu irmão, morto aos 37 anos, mais uma vÃtima das injustiças sociais, do alcoolismo, do desamparo familiar. Tudo o que leio desse autor me faz passar uns dias refletindo sobre como há algo maior na forma como as relações humanas se organizam e que adoece e mata as pessoas lentamente.
O fim de Eddy (Édouard Louis)
Esse foi o primeiro livro de Édouard Louis, mas que só consegui ler por último. É impossÃvel não ficar em choque com os horrores pelos quais a criança Eddy passou e ajuda a compreender a necessidade de mudança no livro "Mudar: Método". Às vezes a única opção para não morrer é mesmo fugir, é virar outra pessoa.
Sociedade Paliativa (Byung-Chul Han)
Um ensaio filosófico sobre a relação da sociedade com a dor e a medicação. Nossa sociedade que não tolera mais sentir dor e coloca a "saúde" acima de todas as coisas. Uma busca incessante por prolongar a vida que revela diversas hipocrisias e perversidades do sistema capitalista. Prolongar uma existência cada vez mais esvaziada de sentido, uma cultura apática que não explica mais as coisas do espÃrito, que só serve ao consumo insustentável. A dor precisa ser sentida, os desconfortos também nos fazem crescer, é preciso conviver com a dor, entender de onde ela vem, qual é a origem dessa dor.
Dublinenses (James Joyce)
Vários contos que marcam o inÃcio de um Joyce que levou os significantes a seus extremos. Diria que é a obra dele que "dá pra ler normalmente" sem realmente desmantelar sua percepção da leitura. A ordem para ler em seguida seria "O Retrato do Artista Quando Jovem", "Ulysses" e, por fim, o auge com "Finnegan's Wake" (que ainda está sendo traduzida para o português). Não sei se terei tempo para lê-las completamente, mas os trechos que li me abalaram profundamente, é preciso ler em voz alta para sentir o efeito da linguagem no corpo. Ninguém tem a mesma experiência com a leitura, muito menos com a linguagem.
Feliz 2026 e feliz leituras novas pra vocês! :)





















1 Comentários
Tenho Dublinenses para ler, quem sabe ele entre nas minhas leituras de 2026. Feliz ano novo ✨
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