Meu hiato de leitura durou alguns anos. Apesar de ter continuado comprando livros de vez em quando, a ansiedade me impedia de abri-los. Depois, o mestrado cumpriu a função de me afastar da leitura por lazer, apesar de ter me aproximado da psicanálise e de todos os mundos que se abriram por conta disso. A pandemia, diferente do que tinha imaginado, também me deixou longe dos livros. Desta vez porque eu estava consumindo notícias, exausta de ter que aprender uma nova forma de executar meu trabalho e preocupada com tudo o que estava acontecendo no planeta.

Foi só no final de 2020 para 2021 que eu realmente deitei numa rede e abri um livro novamente por lazer. E eu fico feliz por esse livro ter sido "Sobre os Ossos dos Mortos" porque me impactou profundamente e talvez eu tenha me identificado com a protagonista, a senhorinha professora de inglês que, segundo os alinhamentos dos astros, não viveria nesta vida todo o seu potencial. Além de toda a poesia de William Blake e a reflexão sobre o meio ambiente. Depois dele, mandei logo um Elena Ferrante e todo o Freud adormecido acordou em mim. Já "Meu ano de descanso e relaxamento" me causou uma agonia profunda, uma vontade de chacoalhar a protagonista e tentar ajudá-la a cada vez em que ela engolia uns três comprimidos de "tarja preta" como quem come M&Ms (sim, eu faço muito essa piadinha boba).

Eu não ligo muito para quantidade de livros. Já fui levada pelo algoritmo do youtube a canais de booktubers que lêem um livro de 400 páginas por dia (hipérbole), mas isso é simplesmente surreal demais. Eu gosto de ler lentamente, aproveitando cada parágrafo impactante, por vezes sublinhando algumas coisas, outras vezes seguindo o ritmo da leitura e esquecendo de marcar alguma frase que me tocou.

Assim, em 2022, posso dizer que realmente voltei a ser leitora. Senti novamente a mesma sensação de ter aprendido coisas, consegui falar sobre livros em conversas com amigos, dei até aulas sobre livros e fiz curso sobre literatura. Me senti a Uaba de 15 anos lendo "O Mundo de Sofia" pela primeira vez e descobrindo meu tipo de literatura preferido: aquele que me faz pensar.

Eu quero ler para entender melhor meu papel neste planeta, para me colocar no mundo como um ser minúsculo diante de todo o conhecimento e todas as histórias possíveis, para sentir o peso da linguagem e suas infinitas combinações que nos causam infinitos sentimentos.

Meu espírito fica feliz quando estou lendo e eu escrevo esse texto mais para fixar na minha mente ainda mais essa sensação. Para mim, não existe maneira certa ou errada de ler, não existe literatura mais isso ou aquilo que outras. Como expressão artística, as pessoas vão tentar explicar e buscar evidências científicas para dizer porque um texto é "literário" e outro, não. Entretanto, a linguagem, como formadora da nossa mente e dos nossos pensamentos, quando lida, vai causar reações diferentes nas pessoas. Logo, essa polêmica sempre vai existir. Então, minha única regra é: no book shaming e seja feliz.

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Meu GoodReads está sempre mais ou menos atualizado, às vezes eu esqueço de colocar alguns livros porque muitas vezes preciso ler vários ao mesmo tempo. Eu deixo ele aí porque acho bonitinho ver as capas dos livros alinhadinhas e coloridinhas aqui no blog. :)

3 Comentários

  1. é tão gostoso voltar a ser leitora né? aqui a pandemia e nascimento de sarinha me fizeram ex-leitora por um bom tempo HAHAHA e é tão gosto quando a gente consegue resgatar esse prazer novamente :')

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  2. O bom é ser um leitor que não se cobra tanto, que leva a vida numa boa, sem cobranças.

    Boa semana!

    O JOVEM JORNALISTA está no ar cheio de posts novos e novidades! Não deixe de conferir!

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    Até mais, Emerson Garcia

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  3. Como leitor, eu realmente aprecio a forma como você aborda a leitura e a escrita em seu blog. A maneira como descreve sua experiência com o livro "Sobre os Ossos dos Mortos" ressoa profundamente comigo, pois também tive uma experiência transformadora ao lê-lo durante meus estudos sobre o Antropoceno, no meio da pandemia. Além disso, a persistência de manter seu blog ativo por 15 anos, mesmo diante dos desafios da era digital, é impressionante e inspiradora. Ela me motiva a continuar escrevendo e construindo comunidades online, apesar do uso indiscrimando de IA que vemos por aí, ou das redes sociais que engoliram os blogs e o texto longo.

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