Livros de 2026 - Parte 1

 


Eis os livros lidos de janeiro a junho de 2026. Já vou logo dizendo que abandonei alguns desses livros simplesmente porque ou passou o timing, ou a leitura não me cativou. Talvez não fosse o momento de lê-los completamente e eu os dê uma segunda chance.

Outra curiosidade foram as cinco peças de Shakespeare que li, reli e fiz trabalhos sobre, basicamente dissequei essas peças para um curso da universidade de Oxford (sim, vou me exibir porque foi extremamente difícil fazer esse curso com um doutorado rolando, o trabalho e a vida, e eu ainda consegui passar nos dois assignments, então mereço).

Agora alguns breves comentários sobre alguns livros que li inteiros e as razões pelas quais gostaria de recomendar a leitura.

Ex-esposa, de Ursula Parrott
Recebi este livro com minha assinatura da revista 451 e passei na frente de todos. A história é baseada em fatos reais desta mulher que se separou aos vinte e poucos anos e resolveu aproveitar a solteirice em Nova York nos anos 1920, quanto ser divorciada, morar sozinha (ou com amigas) e viver a própria sexualidade era um horror social muito maior do que é hoje. Li em uma semana e minha vontade era de ser amiga de Ursula.

Eu sempre morro, de Kaio Bruno Dias
Livro de poemas que encontrei por acaso numa livraria em São Paulo, li em uma noite, chorei, mandei fotos para minhas amizades, li novamente, chorei de novo, enfim. Alguns poemas cutucaram feridas que eu achava cicatrizadas.

Morra, amor, de Ariana Harwicz
Uma narrativa estranha que chacoalhou a minha mente. Ler esse livro me deu uma agonia perturbadora, eu não sabia quem era a voz narrativa da vez. Frases muito curtas, muito longas, fluxos de consciência desesperadores. O filme também é excelente, tem no Mubi.

Latim em Pó, Caetano W. Galindo
Um percurso crítico pela formação da nossa língua brasileira. Galindo mostra as transformações que nossa língua sofreu e vem sofrendo, passando pelo latim, espanhol, árabe, as diversas línguas africanas, as milhares de línguas indígenas, e o próprio português de portugal. Acho interessante a leitura até para quem não é da área, pois a língua forma nossa identidade, nossa mente, nos limita e possibilita significar o mundo.

Agora uma comédia e uma tragédia de Shakespeare só para quem quiser fugir de Hamlet e conhecer outras coisas do querido Guilherme Balança-Lança.

Macbeth, William Shakespeare
Minha tragédia favorita - com todo respeito a Hamlet - mas a história mais curta que Shakespeare contou abre espaço para muitos debates. Primeiro, Macbeth é inteiramente responsável pelas mortes? Ou ele foi induzido pela profecia das bruxas? Ou foi Lady Macbeth quem o influenciou? Ou Banquo? Além desses questionamentos que não são respondidos pela peça, mas alugam um triplex na nossa cabeça, existem muitos outros personagens, falas e enredo que possibilitam análises infinitas dessa peça. E a beleza de Shakespeare está em possibilitar debates sobre suas obras até hoje.

Twelfth Night, or What You Will, William Shakespeare
Minha comédia favorita. Se você já viu o filme adolescente "Ela é o cara", fique sabendo que é baseado nessa peça. Tem algo meio ridículo e engraçado nas pessoas se disfarçando de outro gênero e toda a confusão que isso causa. Além disso, o casais se formam de uma maneira tão bizarra e eu preciso desenhar um gráfico toda vez que vou dar aula sobre essa peça. Agora, imagine que, na época de Shakespeare, só homens podiam atuar nos palcos. Então, havia um homem fazendo papel de uma mulher que se disfarçava de homem e se apaixonava por um homem que, por sua vez, achava que estava se apaixonando por um homem, mas no fim era uma mulher (então tudo bem?). Porém tem questões de sexualidade da época que eram muito diferentes de como percebemos atualmente, por exemplo, ninguém era definido por sua orientação sexual (isso segundo Foucault, na História da Sexualidade, estou terminando de ler o volume 1 e o coloquei no topo da pilha de livros na foto), mas isso é conversa para outro post talvez.

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